O GENOGRAMA COMO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO DA FAMÍLIA

INTRODUÇÃO
Esse trabalho visa fazer um pequeno estudo sobre o genograma, sua importância no que tange ao seu uso na sessão terapêutica da família, visto que o mesmo é uma ferramenta que ajuda o terapeuta a colher dados, a visualizar a história da família, seus padrões de relacionamento e de funcionamento, além de proporcionar uma maior visibilidade da estrutura familiar, sendo um facilitador para discussões de aspectos importantes dessa história familiar.

 

O GENOGRAMA NA TERAPIA FAMILIAR
É uma representação gráfica de uma família englobando membros dessa mesma família por três gerações aproximadamente. O genograma possui um esquema que tem como objetivo ressaltar os tipos de relações que unem os membros e seus laços. É construído com figuras/símbolos (quadrado e círculos), que representam as pessoas, e de linhas (cheias ou pontilhadas), que descrevem os seus relacionamentos (Burd e Baptista, 2010).

Na terapia, essa técnica na maioria das vezes é feita em torno do paciente identificado, auxilia na compreensão da problemática dentro de uma dimensão intergeracional.

Quando o terapeuta encontra resistências, se depara com perguntas sem respostas e quando o mesmo sente que as sessões não avançam e ficam sem rumo é pertinente que o terapeuta lance mão do genograma, pois o mesmo é um facilitador para que certos segredos familiares venham a tona, tornando as ações junto às famílias mais eficazes, além de avaliar o grau de comunicação e como esta se sucede e também as doenças, os problemas familiares, entre outros.

É importante frisar que os membros da família podem escolher começar o genograma em qualquer etapa do ciclo vital e focar qualquer aspecto específico. A construção do mesmo propicia o envolvimento dos membros da família na terapia, pois todos possui alguma coisa para acrescentar sobre suas vivências e também tem muito a descobrir sobre as histórias da família. Na terapia e no aconselhamento familiar, o Genograma é utilizado como um instrumento para engajar a família, destravar o sistema, rever dificuldades familiares, verificar a composição familiar, clarificar os padrões relacionais familiares e identificar a família extensa.

Através do genograma é possível avaliar o ciclo de vida através das gerações e como as relações são estabelecidas com as famílias de origem. Deste modo pode-se verificar aspectos que se repetem através das gerações ou que inserem padrões bastante diferentes dos usuais naquele sistema multigeracional.

Segundo McGoldrick e Gerson (1995), ”Quando avaliamos o lugar de uma família no ciclo de vida, os genogramas e as cronologias casinoodoll.info familiares constituem úteis instrumentos. Eles proporcionam uma visão de um quadro trigeracional de uma família e de seu movimento através do ciclo de vida.”

Para se criar um genograma é preciso esboçar as estruturas familiares, parecidas a uma árvore genealógica, registrando as informações mais importantes sobre os membros da família e delineando as relações familiares.

McGoldrick e Gerson (1985) foram os que padronizaram o traçado do genograma. Muitas vezes se tenta seguir essa padronização, mas pequenas variações da mesma se fazem necessária para ilustrar melhor uma determinada situação.

Freqüentemente, sua confecção identifica a razão pela qual a família procura a terapia, ou seja, clarifica a demanda existente por trás da queixa explicitada pela família (McGoldrick & Gerson, 1985/2005; Rotter & Bush, 2000).

Para se construir um genograma se faz necessário observar os três níveis que o envolve:

 

  • traçado da estrutura familiar;
  • registro das informações sobre a família;
  • plano das relações familiares.

 

A complexidade da família contemporânea, composta de diferentes configurações estruturais (nuclear, divorciada, recasada, união estável, monoparental, homoafetiva, etc.) constitui um verdadeiro desafio para a sua representação gráfica. É importante fazer alguns registros das informações sobre a família a qual está elaborando o genograma como: informações demográficas: idade, datas de nascimento e morte, profissões e níveis de escolaridade; informações funcionais: aspectos médicos, emocionais e comportamentais dos membros da família; eventos familiares críticos: mudanças importantes (relacionais, migrações, sucessos e fracassos), cronologia dos acontecimentos.

De acordo com Nichols e Schwartz (1998), a principal função do Genograma é organizar os dados referentes à família durante a fase de avaliação e acompanhar os processos de relacionamento e de triângulos relacionais no decorrer da terapia. O modo como o Genograma é realizado, mostra as informações da família graficamente de maneira a proporcionar uma visão compreensiva dos complexos padrões familiares. Ao mesmo tempo, possibilita a criação de uma série de hipóteses sobre como o problema clínico da família pode conectar-se ao contexto, bem como a evolução de ambos, problema e contexto, ao longo do tempo (McGoldrick & Gerson, 1995).

Existem algumas informações que podemos encontrar na aplicação do genograma, informações estas relacionadas ao indivíduo e ao sistema como:

 

INDIVÍDUO:
Pontos vulneráveis: as fraquezas, os traumatismos, os fracassos.

Modos de reações: a raiva, as frustrações, os preconceitos.

As forças: sensibilidade, gestão dos mecanismos, capacidade a resolver um problema

 

SISTEMA:

1) A proximidade ou o afastamento das relações;

2) o poder e a hierarquia

-dominância – submissão
-flexibilidade – rigidez
-tradição – adaptação
-fantasma familiares

3) A repetição dos esquemas e das atitudes

4) As crenças do sistema familiar

O genograma tem sido utilizado na clínica para: atrair toda a família para o tratamento, modificar a visão que a família tem do problema do Paciente Identificado, esclarecer os padrões de interação na família, ajudar a família a modificar suas relações. Os indicadores que aparecem no genograma podem servir como tópicos orientadores na terapia com a família ou com o casal, assim, a construção do genograma deve contemplar não só as relações que já tem seus símbolos consagrados, mas também aquelas situações que, embora sejam exceções, constituem-se como significativas para a família avaliada.

No que tange o genograma na terapia familiar, McGoldrick e Gerson, ressaltam que esse instrumento surgiu da prática familiar, e que a maioria de suas aplicações tenha iniciado neste campo. O genograma tem sido utilizado de diferentes formas por vários terapeutas.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O genograma é uma ferramenta muito útil ao que tange à família, pois possibilita a descoberta de problemas muitas vezes herdados de gerações anteriores e detectá-los através do genograma dar subsídios ao terapeuta para tratar a família de forma pontual. A estrutura familiar mostra os diferentes membros da família em interação e, portanto, estudá-la através do genograma se faz útil.

O genograma tem sido apontado por profissionais que atendem a Família como um instrumento de abordagem eficaz para a compreensão da dinâmica familiar. A abordagem familiar apresenta-se como uma atividade importante para a apreensão do contexto nuclear nos quais os processos saúde/doença ocorrem.

A utilização do genograma, no espaço terapêutico, apresenta-se como um recurso estético, facilitador do processo de contar histórias que possam incluir o não-dito. O respeito à privacidade e às escolhas das famílias em relação aos caminhos trilhados são elementos que ajudam no diálogo entre o terapeuta e os membros da família.

O Genograma é um instrumento de fácil construção e interpretação. Resume os principais problemas sociais, biológicos e de relações interpessoais. Tem o efeito visual de um gráfico, o que facilita a vizualização rápida do contexto familiar.


POR RITA DE CÁSSIA MOREIRA MENEZES MUSSURI PSICÓLOGA

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